Consertando os Dons Fianna

Partimos do princípio que essa Tribo se orgulha tanto de ser composta de heróis honrados e guerreiros bravos, mas possui poucos dons voltados para fortalecer essa narrativa. Além disso, os Fianna tem ligações com movimentos de resistência que remota das épocas de luta às invasões Romanas, Saxãs, depois Escocesas e Inglesas, mas seus dons dentro do cânone não tocam realmente nesses pontos.

Essa é a contribuição da Matilha da Garoa para resgatar mecânicas que fortaleçam esses lados do Fianna.

Benção de Dagda

Rank 1 Dom Fianna

Os Fianna são famosos pela fartura e pelas festas. Os de fora da família não entendem o real significado: quando festejam, os Fianna se curam e se unem em laços mais fortes que antes.

Esse dom é um segredo sagrado de tribo que não pode ser compartilhado com ninguém de fora do clã e é ensinado apenas para os cliath que demonstram maturidade. Como é intimamente atado à honra da tribo, abusar desse dom trás consequências graves.

Sistema: Quando um Fianna receber alguém no seu refúgio e servir comida e bebida, o jogador pode gastar um ponto de gnose. Quem consumir os alimentos terá a sensação de segurança para não mentir ou esconder seus sentimentos enquanto estiver no ambiente. Um espírito ancestral ensina esse dom.

Face do Herói

Rank 2 Dom Fianna

Os Fianna cantam muitas baladas sobre a grandeza de seus heróis, às vezes é difícil não acreditar nelas.

Sistema: O jogador gasta um ponto de Força de Vontade. O Garou se apruma, sustentando a imagem de um grande herói corajoso, causando temor nos inimigos, que recebem +1 de dificuldade em seus ataques.

Lâmina Nomeada

Rank 2 Dom Netos de Fionn

Espadas com nomes e propósitos povoam as lendas da Irlanda. Fionn e seus homens cada uma possuíam a sua, e hoje os Tuatha de Fionn ainda mantém a tradição. Quando um Garou se une aos Tuatha de Fionn, ele deve procurar um ferreiro para forjar uma lâmina e lhe dar um nome após uma prova.

Sistema: A espada funciona como uma arma branca comum, mas ela é intimamente ligada ao espírito do Fianna. Ela não pode ser perdida, roubada, e é tratada como uma arma dedicada mesmo sem a necessidade de dedicar gnose para isso. Um espírito ferreiro concede esse dom, depois da Garou fazer uma jornada para encontrá-lo.

A culpa é minha

Rank 3 Dom Irmandade de Herne

…e eu ponho ela em quem eu quiser! Fiannas usam de riots e confusões para atacar seus inimigos.

Sistema: Quando há um tumulto, o Fianna pode erguer a voz apontar o culpado. A multidão vai se voltar contra o acusado, independente da verdade.

Sorriso do Hooligan

Rank 3 Dom Fianna

Ninguém sabe começar uma briga como um Fianna. Quando um inimigo estiver sendo sensato e evitando conflito, a postura atrevida do Fianna o força a entrar em combate.

Sistema: O jogador rola Manipulação+Empatia contra a Força de Vontade do alvo. O sucesso determina que o alvo perdeu a cabeça, e o Garou deve lidar com as consequências.

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Correndo como Lobas

[00:01, um fim de semana qualquer da década de 90]

Ligou o computador, dois cliques, abriu o discador do provedor da Internet, digitou a senha, um clique. O barulho que os modens faziam eram o que os ouvidos humanos entendiam da conversa entre os espíritos das máquinas: do computador do servidor reconhecendo o computador dele como alguém autorizado a estar ali — isso é, segundo os Theurges dos Andarilhos. Já para ela era o último anúncio de pare, volte pra sua vida de mulher, não te querem nas mesas, vão tirar sarro de você. Talvez pior.

Mas aquela noite usaria o seu outro nome, um nome masculino.
Em latim significava “escudo”, pois era exatamente o que aquele nick era, contra a ignorância dos jogadores daquele RPG. Respirou fundo, um clique, digitou o endereço, procurou o link, outro clique, filtrou o assunto e a idade, mais um clique e estava na sala de bate papo.

A Ragabash estalou os dedos, digitou o texto e pressionou o enter:
[00:10:23] Scutum: E ae? Kd esses Banes p gnt chutar a bunda??

— Vivi Silva

É fácil encontrar pessoas que tiveram experiências ruins com o RPG, principalmente tratando-se de jogadores iniciantes. Tão fácil que a comunidade de RPG como um todo deveria parar de tratar essas vivências como questões isoladas e admitir de forma madura que esses problemas existem. Quando começamos a jogar, é muito comum esbarrar com pessoas que não tem paciência pra explicar regras, material pouco acessível (seja por questão de custo ou idioma) e aquela cultura tóxica e competitiva gid gud — que não poderia fazer menos sentido dentro de jogos colaborativos e interpretativos.

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O desastre de Mariana e os Garous

Na tarde do dia 5 de novembro de 2015, a barragem do Fundão se rompeu. O desastre teve proporções catastróficas e se transformou a maior catástrofe natural da história brasileira.
O que poucos sabem é o que há por trás de tudo isso.

Tudo começou há algumas décadas atrás, quando a Samarco Mineração S.A construiu a barragem para conter os rejeitos advindos do processo de mineração local. Nessa época, a cidade de Mariana e as comunidades ao redor cresceram graças ao grande fluxo de trabalhadores. O Caern mais próximo, do Pico do Itacolomi, era comandado por Garras Vermelhas, responsáveis pelo controle da população local. Porém, tudo aconteceu tão rápido que eles não tiveram tempo de se organizar.

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Caern da USP

Bem incomum para os padrões do Velho Mundo, o Caern da Jararaca abrange várias tribos e geralmente não tem problemas em abraçar novos garous, desde que esses respeitem o local e se mostrem dignos. Tratando-se no maior caern urbano da região Sudeste do país, é comum que ele seja visto como um ponto de referência para todas as tribos — mesmo aquelas que são mais fortes em outros estados, como os Fianna e os Crias de Fenris.

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A Terra da Garoa

 

Você sabe, toda história tem um começo. A maioria delas é bem menos épica do que os galliards dos Fianna vão te fazer acreditar e embora eu não seja particularmente contra todo o romantismo deles, é bom se manter cético às vezes. Principalmente quando esse ceticismo pode ser a diferença entre a vida e a morte.
— Grid Overload, galliard dos Andarilhos do Asfalto

São Paulo, Terra da Garoa é uma ideia que começou durante uma campanha de Lobisomem – O Apocalipse situada no meio dos anos 90. Numa mesa com cinco jogadoras e também mestras de RPG, era apenas questão de tempo até que um homebrew do cenário começasse a ser produzido.

Aqui nós vamos dividir nossas experiências, materiais e dois centavos.

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