Correndo como Lobas

[00:01, um fim de semana qualquer da década de 90]

Ligou o computador, dois cliques, abriu o discador do provedor da Internet, digitou a senha, um clique. O barulho que os modens faziam eram o que os ouvidos humanos entendiam da conversa entre os espíritos das máquinas: do computador do servidor reconhecendo o computador dele como alguém autorizado a estar ali — isso é, segundo os Theurges dos Andarilhos. Já para ela era o último anúncio de pare, volte pra sua vida de mulher, não te querem nas mesas, vão tirar sarro de você. Talvez pior.

Mas aquela noite usaria o seu outro nome, um nome masculino.
Em latim significava “escudo”, pois era exatamente o que aquele nick era, contra a ignorância dos jogadores daquele RPG. Respirou fundo, um clique, digitou o endereço, procurou o link, outro clique, filtrou o assunto e a idade, mais um clique e estava na sala de bate papo.

A Ragabash estalou os dedos, digitou o texto e pressionou o enter:
[00:10:23] Scutum: E ae? Kd esses Banes p gnt chutar a bunda??

— Vivi Silva

É fácil encontrar pessoas que tiveram experiências ruins com o RPG, principalmente tratando-se de jogadores iniciantes. Tão fácil que a comunidade de RPG como um todo deveria parar de tratar essas vivências como questões isoladas e admitir de forma madura que esses problemas existem. Quando começamos a jogar, é muito comum esbarrar com pessoas que não tem paciência pra explicar regras, material pouco acessível (seja por questão de custo ou idioma) e aquela cultura tóxica e competitiva gid gud — que não poderia fazer menos sentido dentro de jogos colaborativos e interpretativos.

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O desastre de Mariana e os Garous

Na tarde do dia 5 de novembro de 2015, a barragem do Fundão se rompeu. O desastre teve proporções catastróficas e se transformou a maior catástrofe natural da história brasileira.
O que poucos sabem é o que há por trás de tudo isso.

Tudo começou há algumas décadas atrás, quando a Samarco Mineração S.A construiu a barragem para conter os rejeitos advindos do processo de mineração local. Nessa época, a cidade de Mariana e as comunidades ao redor cresceram graças ao grande fluxo de trabalhadores. O Caern mais próximo, do Pico do Itacolomi, era comandado por Garras Vermelhas, responsáveis pelo controle da população local. Porém, tudo aconteceu tão rápido que eles não tiveram tempo de se organizar.

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Caern da USP

Bem incomum para os padrões do Velho Mundo, o Caern da Jararaca abrange várias tribos e geralmente não tem problemas em abraçar novos garous, desde que esses respeitem o local e se mostrem dignos. Tratando-se no maior caern urbano da região Sudeste do país, é comum que ele seja visto como um ponto de referência para todas as tribos — mesmo aquelas que são mais fortes em outros estados, como os Fianna e os Crias de Fenris.

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A Terra da Garoa

 

Você sabe, toda história tem um começo. A maioria delas é bem menos épica do que os galliards dos Fianna vão te fazer acreditar e embora eu não seja particularmente contra todo o romantismo deles, é bom se manter cético às vezes. Principalmente quando esse ceticismo pode ser a diferença entre a vida e a morte.
— Grid Overload, galliard dos Andarilhos do Asfalto

São Paulo, Terra da Garoa é uma ideia que começou durante uma campanha de Lobisomem – O Apocalipse situada no meio dos anos 90. Numa mesa com cinco jogadoras e também mestras de RPG, era apenas questão de tempo até que um homebrew do cenário começasse a ser produzido.

Aqui nós vamos dividir nossas experiências, materiais e dois centavos.

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